Mente acelerada e necessidade de controle: Por que é tão difícil “desligar” o cérebro?

Por Renata Faria

“E se eu esqueci o fogão ligado?” “E se acontecer um acidente?” “E se aquele trauma do passado se repetir hoje?”

Se você gasta uma quantidade absurda de energia tentando prever todos os cenários ruins possíveis e tenta controlar tudo ao seu redor para evitar o pior, você sabe o quão exaustiva a sua mente pode ser.

Essa necessidade excessiva de controle e a enxurrada de pensamentos que invadem a mente sem pedir licença são as marcas registradas de quadros como o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) e Ansiedade Generalizada.

O que são pensamentos intrusivos?

São ideias, imagens ou impulsos indesejados que surgem de forma repentina e causam extremo desconforto. No caso do TOC, por exemplo, a ansiedade gerada por esses pensamentos (obsessões) é tão grande que a pessoa se sente obrigada a realizar comportamentos repetitivos (compulsões) — como checar portas várias vezes, criar regras mentais rígidas ou evitar locais específicos — apenas para sentir um alívio temporário.

No caso de experiências traumáticas, a mente tenta evitar qualquer gatilho que lembre o evento doloroso, o que também gera um estado de hipervigilância constante.

O ciclo da falsa segurança

O comportamento que você usa para aliviar a ansiedade (seja checar a fechadura 10 vezes ou evitar passar por uma rua específica) te dá uma falsa sensação de controle. Mas ele não resolve o problema; ele alimenta a doença. Ele ensina o cérebro que você só estará seguro se continuar seguindo essas “regras” exaustivas.

A mudança através da Prática Baseada em Evidências

O objetivo da Terapia Cognitivo-Comportamental não é “apagar” os seus pensamentos. É mudar a forma como você reage a eles.

Trabalhamos juntos para:

  • Entender as crenças e significados que você atribui ao perigo.
  • Substituir os comportamentos disfuncionais e rituais por estratégias de enfrentamento mais funcionais.
  • Criar flexibilidade mental, para que você tolere a incerteza da vida sem precisar paralisar.

Tratar a ansiedade e as feridas do passado exige coragem, e o primeiro passo pode ser dado de forma leve, em um espaço onde você será acolhido com empatia e profissionalismo, não com rótulos.